A presente dissertação tem como objetivo analisar as narrativas históricas e literárias na imprensa literária piauiense do início do século XX, a partir da revista Litericultura, que circulou entre os anos de 1912 e 1913. O mundo concreto e as formas de experiências são cheias de possibilidade que se abrem e podem ser “acessadas”, na perspectiva de Ricoeur (2010), a partir das narrativas. A linguagem é assim o lugar propício para mediar o contato do homem com a realidade que o cerca. O primeiro pressuposto que devemos atentar no estudo das narrativas é evidenciar que narrar implica sempre em uma construção, que por sua vez trabalha sobre o princípio da verossimilhança. É fundamental que se entenda que as narrativas nunca poderão apreender o todo ou chegar ao “que realmente foi”, já que são construções e textos em aberto – onde cabe aqui o ciclo mimético de Ricoeur (2010). No caminho desta investigação qualitativa, que tem como base a perspectiva hermenêutica fenomenológica de Ricoeur (2010), trabalhamos a análise de narrativas a partir de duas entradas: pelo círculo hermenêutico e a partir da hermenêutica do si. Como amostra, foram selecionados quatro textos: os contos Os Burgos de Clodoaldo Freitas e Chapéu de Sebo de João Pinheiro, e os textos históricos Uma Viagem no Piauí em 1839 de Alfredo de Carvalho e Um patriota piauiense de Clodoaldo Freitas. Assim, as narrativas analisadas da revista Litericultura, ao passo que suscitam debates sobre as questões do seu tempo, buscando romper com os valores conservadores que dominavam o início do século XX, constroem memórias sobre o Piauí e seus personagens, promovendo um sentimento de identificação.